Quando a rede de supermercados britânica Tesco pediu que mulheres grávidas fossem degustar seus vinhos em 2004, ela não estava defendendo a síndrome fetal do álcool. As degustadoras de vinho do Tesco não bebem os vinhos, mas os fazem girar em suas bocas para sentir o sabor e então cuspi-los.

Por que a Tesco quis mulheres grávidas, entre todas as pessoas, para fazer isso? A rede esperava tirar vantagem dos narizes e dos paladares de mulheres grávidas para obter os melhores vinhos para seus clientes.

A sensibilidade a odores aumenta durante a gravidez. A gravidez afeta o olfato e o paladar? tire sua dúvida.

A campanha da Tesco foi inspirada pela sommelier da rede, que engravidou e relatou que sua experiência em degustar vinho se tornou muito mais pronunciada. Ela não está sozinha em A gravidez afeta o olfato e o paladardescobrir seus sentidos alterados: livros de gravidez alertam sobre o efeito, e vários estudos em que mulheres relataram suas percepções sensoriais descobriram que a maioria das mulheres notou uma mudança.

A gravidez afeta o olfato e o paladar

Um desses estudos, publicado em 2004, pediu a mais de 100 grávidas para relatar sobre seus sentidos em vários pontos da gravidez, e 76% das participantes experimentaram uma mudança no olfato e no paladar [fonte: Nordin et al]. Dois terços das mulheres relataram aumento na sensibiidade a odores, mas elas também relataram distorções de cheiros, cheiros ilusórios e sabores anormais, incluindo sensibilidade aumentada a amargo e diminuição da sensibilidade a sal [fonte: Nordin et al.]. Na maioria das vezes, as mulheres experimentaram esses efeitos durante o primeiro trimestre de gravidez, embora um percentual pequeno tenha relatado as alterações no último estágio da gravidez. Depois da gravidez, todas as mudanças de percepção de cheiro e sabor desapareceram.

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Infelizmente, os cientistas não podem respaldar esses relatos com nenhum dado real e concreto. Quando a Tesco anunciou seus planos, um médico do Britain’s Royal College of Obstetrics
and Gynecology disse que não havia evidências da intensificação do paladar durante a gravidez e acusou a rede de estar fazendo publicidade da ingestão de bebida alcóolica durante a gravidez [fonte: BBC]. Mas um especialista em odores reagiu dizendo ser muito difícil estudar o efeito, já que cada grávida experimenta a alteração de forma diferente [fonte: Sample]. Os cientistas discordam seriamente sobre as origens dessas mudanças.

Então por que tantas mulheres relatam esse sintoma? Há algum benefício na sensibilidade a cheiros, ou é apenas mais uma coisa para tornar os nove meses de gravidez mais sofridos? Descubra na próxima página.

 

A gravidez afeta o olfato e o paladar? Marketing SensorialComo muitas coisas durante a gravidez, as mudanças nos sentidos da mulher são amplamente atribuídas aos hormônios. Quando as mulheres engravidam, seus níveis de estrogênio aumentam. O estrogênio também está relacionado com o aumento da percepção do cheiro em não grávidas. Um estudo de 2002 conduzido pelo Monell Chemical Senses Center, da Filadélfia, mostrou que mulheres em idade fértil mostram uma sensibilidade maior a odores do que os homens. A gravidez afeta o olfato e o paladar. Em grupos com níveis de estrogênio menores – meninas preadolescentes e mulheres pós-menopausa -, a sensibilidade se equipara à dos homens [fonte: Harvard Women’s Watch]. Por isso, à medida que os níveis de estrogênio sobem e descem, a percepção de odores pode mudar.

Há evidência de que o olfato da mulher também muda durante o ciclo menstrual e na ovulação, bem como durante a gravidez [fonte: Sample]. Mas os cientistas não estão extamente certos sobre como (ou se) o estrogênio cria a alteração no nariz ou no cérebro [fontes: Harvard Women’s Watch, Pletsch and Kratz].

O que os cientistas dizem? A gravidez afeta o olfato e o paladar

Os cientistas também discutem se a intensificação dos sentidos da mulher grávida tem algum benefício para ela ou para o feto. Alguns pesquisadores acreditam que a sensibilidade a odores e a sabores provocam os enjôos matinais, beneficiando as mulheres, porque elas rejeitam alimentos contendo substâncias químicas e toxinas prejudiciais ao feto [fonte: Nordin et al]. A gravidez afeta o olfato e o paladar; Cientistas que endossam essa teoria dizem que isso explica porque as mulheres grávidas são mais sensíveis ao cheiro e sabor do cigarro, ao álcool, a vegetais amargos e a bebidas cafeinadas, como café. Alguns dados mostram que mulheres que sentem náusea têm uma taxa menor de abortos, sugerindo que o nariz está fazendo seu trabalho em manter o bebê seguro [fonte: Stanford Report].

Outros cientistas pensam diferente. Um estudo de 2004 testou a seguinte hipótese: como as mulheres grávidas têm maior sensibilidade a odores e sabores, elas classificariam produtos contendo toxinas de forma muito mais negativa. Isso mostrou ser verdade? Não realmente. No experimento, as mulheres grávidas não demonstraram nenhuma sensibilidade a cheiro. Não houve evidência de que elas tivessem uma sensibilidade a odores maior do que as mulheres não grávidas, e houve poucas diferenças entre mulheres e homens em geral [fonte: Swallow et al]. Mulheres também não classificaram os cheiros de produtos perigosos mais negativamente, e houve pequena correlação entre classificação de odores e náusea [fonte: Swallow et al].

Os autores do estudo não mencionaram que talvez a náusea do enjôo matinal acontecesse quando o produto já havia sido, na verdade, provado, e não apenas cheirado. A gravidez afeta o olfato e o paladar. Um quarto das mulheres relatou sensibilidade anormal do paladar nos estágios iniciais da gravidez, incluindo acentuação da sensibilidade a items amargos e diminuição da sensibilidade a items salgados  [fonte: Nordin et al]. Novamente, a sensibilidade a items amargos, como café, pode ser uma forma de o corpo proteger seu bebê não nascido. A gravidez afeta o olfato e o paladar. De modo oposto, uma diminuição da sensibilidade ao sal pode ajudar as mulheres a consumir mais sal, o que, em troca, faz com que elas sintam mais sede e, consequentemente, consumam líquidos e vários nutrientes de que precisam para suportar o feto [fonte: Nordin et al.]. A gravidez afeta o olfato e o paladar.

Como as mudanças no olfato, tem sido difícil para os cientistas precisar as alterações no paladar e o porquê de elas ocorrerem. Mas quando uma mulher grávida mal-humorada reclama desses sintomas, é melhor não dizer que não há evidências científicas do que ela está sentindo. A gravidez afeta o olfato e o paladar; Em vez disso, as mulheres grávidas deveriam simplesmente tentar evitar os cheiros que agravam esses sintomas, que podem incluir permitir que o marido faça a comida ou pedir polidamente que o colega de trabalho não use determinada colônia. Mulheres grávidas deveriam tentar deixar as janelas abertas quando possível para ventilação, e poderiam testar se odores calmantes como os da menta, do limão ou do gengibre proporcionam algum alívio.  [fonte: Murkoff]. A gravidez afeta o olfato e o paladar.

 

 

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